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Complexo Trabalhista do TRT da 18ª Região


As instituições das cidades podem engrandecer-se graças ao poder de seus espaços arquitetônicos (Louis I. Kahn)

Uma oportunidade de inventar um lugar, sem fronteiras ou limites definidos, aberto ao homem comum e à sociedade como um todo, onde somente com a presença destes tornar-se-á plena de sentido: uma instituição, cívica em sua excelência. É assim que, diante desta, revela-se incontestável e essencial a criação de um espaço democrático: uma nova praça pública e um expressivo marco urbano.

Partido Arquitetônico

O projeto é implantado a partir de duas condições principais definidas pelo edital: a necessidade de execução da Etapa 1 na porção norte do terreno e a preservação do edifício existente no outro extremo do lote. Aliado a isso, a carência de espaços públicos na malha urbana local, o fato da quadra estar inserida em uma região predominantemente residencial e o caráter simbólico e institucional do complexo, levaram a uma implantação idealizada em dois blocos integrados por uma praça de proporções monumentais, qualificando assim o espaço público e o seu entorno, possibilitando também a criação de um conjunto arquitetônico imponente e representativo, condizente com as atividades e os valores nele exercidos.

Praça

Ordenadora de todo o complexo, e de fácil acesso, sua implantação se acomoda da maneira mais adequada, tirando partido do desnível existente para articular-se com o entorno e também comunicar todas as edificações onde foram distribuídas as etapas do programa, conforme edital. Criada em dois níveis, é na cota +791.50 que se estabelece o principal acesso ao Complexo do TRT conectando também a Avenida T-1 à Rua T-29. Nessa mesma cota se encontra o acesso principal ao edifício da Etapa 1, que além deste, conta também com um acesso secundário pela rua T-51. Já o segundo nível da praça, estabelecido na cota +793.00 comunica a praça à Rua Orestes Ribeiro e também os acessos aos edifícios da Etapa 2, 3 e 4.

Etapas – Funções

No volume correspondente à Etapa 1, o programa é distribuído de modo a facilitar ao máximo o funcionamento do edifício de maior público externo do complexo. No primeiro nível da edificação, situado no segundo pavimento inferior, localizam-se usos de caráter mais público como bancos e posto de INSS, além de todos os espaços de serviço, comunicados diretamente à Rua t-51. No primeiro pavimento inferior ao térreo, encontramos um amplo espaço cultural em área de maior circulação, onde existe o acesso público ao plenário e a conexão subterrânea com os edifícios das outras Etapas. No nível térreo, acesso principal, e mezanino, estão usos de caráter mais aberto, como as associações e atendimento ao cidadão. São nos cinco pavimentos seguintes que se distribuem as 20 varas, sendo 4 por andar, agrupadas duas a duas, tendo cada uma funcionamento autônomo. No terraço, estão localizados apoio aos juízes e áreas de cursos.

A edificação destinada à Etapa 2, localizada ao lado esquerdo da ampla praça cívica, divide-se em dois blocos volumetricamente integrados ao edifício existente. Acessados pelo nível superior da praça, o bloco principal abriga em quatro pavimentos os 16 gabinetes de desembargadores, e no último as presidências, providas de terraço. No bloco adjacente estão todas as secretarias diretamente conectadas através de passarelas com o bloco principal.

A Etapa 3, definida por usos secundários localiza-se num meio-nível subsolo, contando com ambientes como consultórios e secretaria de informática; providas de iluminação e ventilação naturais, além de estar estrategicamente implantada levando em consideração sua conexão com todos os edifícios do complexo.

Por fim, a Etapa 4 prevista no edifício existente, distribui-se de modo coerente, aproveitando ao máximo as condições da construção existente.

Etapas – Circulação

Já definido pelo edital, as Etapas configuram-se como edifícios autônomos, porém perfeitamente conectados e de fácil circulação entre si. Além da existência da praça como espaço polarizador do complexo, uma passagem no nível +788.70 conecta os dois blocos de maneira direta e funcional, seja pelas circulações de juízes e servidores, como de público e serviços. As circulações verticais e horizontais de todos os edifícios também se fundamentam a partir da implantação, seja através dos fluxos, ou mesmo das linhas desenhados no piso, revelando os eixos de circulações que cruzam todos os edifícios, intensificando a ideia de conjunto das várias Etapas do novo TRT. As circulações internas de cada etapa são também providas de diferentes graus de privacidade, devidamente separadas em circulação exclusiva de juízes, de servidores e de público externo. Cada um destes também sempre providos de seus devidos banheiros. Desse modo, as Etapas 2,3 e 4, unem-se num único conjunto, compartilhando dos mesmos níveis e acessos evidenciando a diferença de seu funcionamento e significação com relação à Etapa 1.

Etapas – Execução

O novo Complexo Trabalhista do TRT – 18ª. Região divide sua execução em três fases principais: a primeira, definida pela Etapa 1 do programa de necessidades, implanta-se na porção do terreno hoje ocupada pelo edifício das varas de trabalho de 07 a 13. A segunda, correspondente às Etapas 2 /3 divide-se em praça/plenário e em edifício localizado na porção sul do terreno, sendo esta a maior das fases construtivas, podendo ser dividida em sub-fases. A terceira e última fase, destina-se à adaptação do edifício existente às novas atividades destinadas. Os estacionamentos são divididos de maneira proporcional, já possuindo a Etapa-1 vagas suficientes para seu funcionamento adequado. Na execução das demais etapas da arquitetura as vagas serão completadas, atingindo o número de 500 vagas estabelecido no programa.

Estrutura

A estrutura dos edifícios é definida por pilares, vigas e lajes de concreto armado e concreto moldado “in loco”. Possível pelas dimensões dos volumes e da distribuição dos núcleos de circulação vertical e serviço, a quantidade de pilares é mínima, sendo necessários quase somente os núcleos como elementos estruturais, representando grande economia de recursos e também total flexibilidade funcional nos pavimentos, conjuntamente com as lajes nervuradas protendidas.

Construção / Instalações

O processo de construção de todo o complexo se define por tecnologias e materiais de máxima industrialização, facilitando a execução e reduzindo aspectos econômicos significativos frente à escala do projeto. Além da estrutura principal em concreto, é utilizada nas coberturas estrutura metálica mais leve e condizente com a função que se destina. Os edifícios possuem o fechamento de caixilhos de alumínio anodizado e vidros laminados além de superfícies metálicas perfuradas nas fachadas que requerem maior proteção contra insolação. Todos os materiais empregados visam um grau máximo de qualidade condizente com o alto caráter do edifício, respeitando os limites orçamentários que possam ser estabelecidos. O número de subsolos é bastante reduzido devido à adequada implantação e ao aproveitamento do desnível já existente, representando maior velocidade de execução. Os edifícios estão dimensionados para receber suas devidas instalações em forro, piso e shafts verticais, já possuindo também salas técnicas em todos pavimentos, não prejudicando de nenhum modo a boa qualidade dos espaços. As intervenções no edifício existente a preservar são mínimas: adaptação de seu interior, mudança de sua cor externa e o recobrimento de suas fachadas voltadas às ruas por uma pele de chapas perfuradas em módulos verticais, de maneira a integrar compositivamente com os novos edifícios do complexo. A necessidade desta pele justifica-se também pela insolação, além de também já estar prevista alguma proteção no projeto executivo.

Conforto Ambiental / Sustentabilidade

A proposta leva em consideração todos os aspectos referentes aos temas mencionados, desde a acessibilidade universal de todo o complexo até a economia de recursos. O projeto privilegia claramente a qualidade do estar dos espaços de trabalho, solucionando de modo bastante único, comparado a outros projetos de programa similar, problemas de iluminação e ventilação natural. O pé-direito livre de 2.70m, somado com praticamente todas as salas dispostas diretamente nas fachadas, acarreta numa redução significativa da utilização de energia devido ao alto aproveitamento da luz natural. A versátil utilização do recurso da pele de vidro faz com que o edifício mantenha sua força e sobriedade formal, aparentemente igual em todas as fachadas, porém internamente solucionado de modo distinto em cada caso. Enquanto nas fachadas sul e nas voltadas ao pátio interno, utiliza-se uma única pele; nas fachadas norte somam-se, internamente, uma segunda pele criando uma eficiente proteção contra radiação solar, além do uso de brises interiores de desenho inovador, também colaborando para a eficiência energética e imagem da arquitetura. As fachadas leste e oeste, de dimensões reduzidas compõem-se das duas soluções. Sendo assim, minimiza-se de modo significativo o uso do ar condicionado. A reutilização de águas servidas é feita através de espelhos d’água na cobertura dos edifícios e áreas impermeabilizadas, sendo providas de tecnologia de tratamento e reserva para sua devida reutilização. O projeto contempla ainda a possibilidade de gênese de recursos de energia renovável, seja através da cobertura ou até mesmo das próprias fachadas.

Significado

Diante do nobre grau de representatividade da instituição, a arquitetura serve-se de símbolos e significados para sua comunicação com o usuário e a cidade. Sua volumetria coesa, comum ao entorno predominantemente horizontal, adequa-se a este e ao mesmo tempo se impõe como um novo marco urbano necessário no contexto da cidade de Goiânia. Surge uma arquitetura de grande força expressiva, uma volumetria simples e de fácil leitura, porém de materialidade digna, e de uma trabalhada composição de volumes na implantação, que integra o edifício existente à nova arquitetura. A escala da praça e dos edifícios se intensifica mutuamente, revelando a respeitável função ali abrigada. Uma arquitetura imponente, mas de sutil diálogo. Dois volumes que se deparam, se refletem e interagem de diferentes maneiras, inclusive formais. A verticalidade das linhas, a força da geometria pura. E como simbolismo, as cores falam autonomamente. A neutralidade do branco e do preto, que a justiça carrega, unidos pelo vermelho, presente nos elementos de proteção solar das fachadas, mas sobretudo como referência à cor que representa a instituição do Direito. Além disso, o plenário é implantado no coração da praça pública, revelando sua importância frente ao cidadão. Em sua cobertura pequenas aberturas iluminam de maneira poética seu interior, como uma constelação, sendo dispostas precisamente como os Estados na bandeira nacional. Uma arquitetura que se comunica com o homem, que a ele oferece ao menos um instante de emoção, de pausa. À cidade, revela-se única no contexto local. Um novo símbolo de nobre instituição que só a arquitetura poderia criar.


1º Prêmio
Concurso Público Nacional de Arquitetura para o Complexo Trabalhista do TRT da 18ª Região

Local: Goiânia, GO
Ano: 2007
Ano Construção 1ª fase (Fórum): 2008-2012
Ano Construção 2ª fase: em andamento
Área do Terreno: 13.000m²
Área Construída: 71.904m²

Autores:
Daniel Corsi
Dani Hirano
Reinaldo Nishimura

Colaboradores:
Laura Paes Barretto Pardo, Liana Paula Perez de Oliveira, Sergio Matera, Taís Lie Okano, Andrea Key Abe, Pamella Porto Kaninski, Renato Borba, Thais Velasco, Marina Nunes, Anna Juni, André Ko, Karen Doho, Fabio Carneiro, Fausto Chino, Luciana Engel, Lais Labate D’Almeida e Silva, Vinicius Vitoriano, Felipe Fuchs, Adriana Godoy, Natalia Campilongo, Tatiana Otani Nishi, Thiago Santana Maurelio, Gabriela Meyer Torres, Bruno Suman

Fotos:
Nelson Kon (3 a 34)
Leonardo Finotti (35 a 54)

Maquete:
Leon Richard Benkler

Prêmios:
Finalista - Categoria Edifícios Comerciais - Prêmio O Melhor da Arquitetura 2013 - Revista Arquitetura & Construção | Editora Abril (2013)
Menção Honrosa - Categoria Obras Concluídas - Prêmio AsBEA 2012 (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) (2012)

Exposições:
Nove Novos: Emerging Architects From Brazil  - CIVA (Centre International pour la Ville l'Architecture et le Paysage Bruxelles) - Hors les Murs Espace Architecture | Bruxelas (2014)
DAM | Deutsches Architekturmuseum | Frankfurt. Mostra de projetos na Exposição “Nove Novos - Neun Neue: Emerging Architects From Brazil" (2013)
Arquitetura Brasileira 2003-2013 | HTWG Konstanz (Constance, Alemanha), IUAV (Veneza, Itália), Bauhaus (Alemanha) e Royal Danish Academy of Fine Arts (Copenhagen, Dinamarca) | Escola da Cidade + Ministério das Relações Exteriores (2013)
Arquitetos Professores, Professores Arquitetos - Centro Universitário SENAC (Campus Santo Amaro) (2011)
VI Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo en Lisboa - 2ª. Muestra de Jóvenes Arquitectos Iberoamericanos (2007)
7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (2007)


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